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O cérebro de um gamer: A luz e as trevas por trás dos videogames

Por Dr. Fabiano de Abreu Agrela

Os videogames são formas muito populares de entretenimento digital cada vez mais imersivas. Eles existem há várias décadas, mas a evolução tecnológica exponencial nos últimos anos trouxe gráficos avançados, realidade virtual e jogabilidade online, transformando a maneira como os games são jogados e mais, a frequência e o tempo gasto com eles.

Esse maior uso dos jogos eletrônicos chamou a atenção para um detalhe há muito tempo negligenciado: Os seus impactos. Para além de impactos nas articulações, visão, etc., o cérebro é o órgão mais atingido pelo uso de games, no entanto, a forma como esse impacto ocorre ainda é alvo de várias dúvidas e resultados científicos aparentemente contraditórios.

Por exemplo, um estudo da Universidade de Szeged, na Hungria, publicado na revista “Neuroscience”, revelou que o uso de videogames em plataformas 3D contribui para o aumento do volume da parte direita do hipocampo, região cerebral responsável pela aprendizagem e memória, podendo trazer melhoras nesses campos, assim como aumento nas áreas pré-frontais, podendo estimular habilidades em tomada de decisões e personalidade.

Por outro lado, existem impactos negativos do uso de videogames amplamente comprovados, como déficit de atenção, inteligência emocional comprometida, distúrbios do sono e impactos no desenvolvimento cerebral e vícios, estes sendo inclusive catalogados pela Organização Mundial da Saúde desde 2019, como transtorno do jogo patológico/compulsivo, onde o paciente perde relações sociais, profissionais e educativas por mais de 12 meses em decorrência do vício em videogames.

Todos esses dados são importantes e nos trazem perspectivas bastante conflitantes, mas que são conciliáveis através de alguns fatores por vezes esquecidos sobre a forma como se joga.

Por exemplo, uma pessoa de 17 anos joga videogames de raciocínio e resolução de questões durante 2 horas por dia, enquanto outra, de 5 anos, jogos banais e repetitivos por 4 horas diárias, qual você acha que tem mais chances de ter impactos positivos e qual tem mais chances de ter impactos negativos?

Isso nos leva a pontuar que variáveis como o tempo diário dedicado aos jogos eletrônicos, a frequência com que eles são usados, o tipo de jogo usado e a sua indicação de acordo com cada faixa etária, a conciliação deles com a vida social e a forma como são jogados, podem fazer a balança pender para um dos lados, positivo ou negativo, de forma mais intensa.

Ou seja, os videogames não são 100% positivos, tampouco 100% negativos, é preciso ser imparcial e realizar análises de forma ampla considerando os dois lados da moeda, tendo em mente também que um benefício não anula um malefício.


Sobre Dr. Fabiano de Abreu Agrela

Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues MRSB é Pós PhD em Neurociências eleito membro da Sigma Xi, membro da Society for Neuroscience nos Estados Unidos , membro da Royal Society of Biology no Reino Unido e da APA – American Philosophical Association também nos Estados Unidos. Mestre em Psicologia, Licenciado em Biologia e História; também Tecnólogo em Antropologia e filosofia com várias formações nacionais e internacionais em Neurociências e Neuropsicologia. Membro das sociedades de alto QI Mensa, Intertel, ISPE High IQ Society, Triple Nine Society, ISI-Society, Numerical e  HELLIQ Society High IQ. Autor de mais de 220 artigos científicos e 17 livros.

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