Campus Fórum




Leia o Manifesto criado após as discussões do CAMPUS FÓRUM na CPBR10:

MANIFESTO CAMPUS PARTY
E REDE BRASILEIRA DE CIDADES INTELIGENTES E HUMANAS

Os Campuseiros, reunidos na Campus Party São Paulo 2017, após um dia de intensos debates e audiências sobre o tema Cidades Inteligentes e Humanas, publicam este Manifesto, a ser
entregue às autoridades brasileiras, para que se produza a conscientização de nossos dirigentes e o estímulo à implantação de políticas públicas que possam inserir nosso País no modelo de desenvolvimento econômico e social do século XXI.

O mundo está passando por uma grande transformação e os paradigmas do século XX estão dando lugar a novos paradigmas, muito mais conectados com o desenvolvimento da ciência e da
tecnologia. Dessa forma, dar total atenção ao desenvolvimento de um novo modelo educacional que possa incluir os cidadãos brasileiros no mundo da inovação, dotar o País de infraestrutura tecnológica apropriada para que se possa integrar a nação por meio das ferramentas tecnológicas disponíveis e estimular o empreendedorismo, com políticas que facilitem e desburocratizem a abertura e a manutenção de novas empresas e startups, são fundamentais para que o Brasil possa entrar em um novo patamar de seu desenvolvimento.

Não conseguiremos dar esse salto necessário se não for por meio das cidades. Não conseguiremos avançar se não entendermos que as pessoas devem ser o centro das políticas de desenvolvimento, especialmente quando ele se dá pela tecnologia. Não seremos um País que proporciona aos seus cidadãos uma vida digna e justa, se não cuidarmos dos aspectos
urbanísticos de nossas cidades e da proteção do meio ambiente. Precisamos de Cidades Inteligentes, Humanas e Sustentáveis. É o que queremos!

Queremos nos conectar com o mercado mundial da inovação, mas queremos que o desenvolvimento desse mercado no Brasil seja sustentável, de longo prazo, e com a participação
dos empreendedores brasileiros. Queremos que os dados e as informações que a tecnologia capta e integra sejam de propriedade de todos nós. Queremos transparência e compartilhamento
de informações, porque queremos co-criar com nossos governantes, nas soluções necessárias para que tenhamos um Brasil totalmente inserido no século XXI.

Entendemos que a sociedade brasileira pode se beneficiar intensamente dos dados digitais que são gerados pelas pessoas em benefício dos próprios cidadãos. Os chamados "Big Datas" são bancos de dados que, se utilizados corretamente, podem melhorar a vida nas cidades. Para isso é preciso aperfeiçoar a legislação de proteção e guarda de dados para que a utilização pública de tais informações não violem a privacidade das pessoas.

Por fim, apoiamos os Indicadores Brasileiros de Cidades Inteligentes e Humanas, como instrumento necessário para que se possa medir a evolução das cidades brasileiras, bem como
estimular e orientar seus prefeitos nos caminhos que levem seus municípios a se tornarem inteligentes e humanos.

Assim propomos:

a) Apoio aos municípios brasileiros para que estabeleçam suas plataformas integradoras, abertas e interoperáveis, por meio de seus parques de iluminação pública, de uma forma que tenham a infraestrutura necessária para o desenvolvimento do empreendedorismo e das cidades, como inteligentes e humanas;

b) Foco e estímulo à disseminação de cultura empreendedora que beneficie tanto o empreendedor quanto o município;

c) Desburocratizar e simplificar o acesso a mercados, para as empresas-foco das cidades inteligentes, especialmente as startups;

d) Envidar esforços para a construção coletiva da Política Nacional de Startups, com publicação prevista ainda para 2017;

e) Revisar, no âmbito da Secretaria Especial da Micro e Pequena Empresa, a lei 8666, para facilitar o acesso das empresas nas compras publicas municipais e estaduais;

f) Desenvolvimento e apoio às iniciativas de mentoria e aceleração das startups de cidades inteligentes, especialmente no que tange ao investimento privado;

g) Ampliar a conectividade em todas as regiões brasileiras;

h) Incentivar e implementar iniciativas de capacitação digital para empreendedores;

i) Por fim, deixamos algumas opiniões colhidas dos campuseiros:
i.1) Políticas públicas podem ser integradas, ter seus custos reduzidos e sua implementação democratizada a partir do uso das novas tecnologias.
i.2) As cidades inteligentes e humanas não são burocráticas; as novas tecnologias são eficientes instrumentos de desburocratização.
i.3) A participação cidadã pode ser renovada e ampliada por meio de aplicativos e outras ferramentas tecnológicas; parlamento e governo local podem inovar na relação com as pessoas para melhorar não apenas a qualidade de vida nas cidades, como também a qualidade da democracia brasileira.
i.4) Há um trabalho permanente a ser feito - é preciso disseminar e aprofundar a cultura da inovação nas cidades brasileiras.
i.5) Outra ação permanente é a qualificação das pessoas para este mundo do trabalho marcado pelo uso intensivo das tecnologias; cidades inteligentes e humanas devem formar 
cidadãos para este novo cenário.
i.6) Nas cidades inteligentes, a modalidade de Ensino à Distância associada às políticas públicas de emprego e renda é uma solução eficiente para enfrentar o desemprego.
i.7) A relação entre os setores público e privado deve acompanhar a evolução das soluções tecnológicas que facilitam a vida das pessoas; questões regulatórias, tributárias, trabalhistas devem criar cidades inteligentes e humanas e não impedir o seu surgimento.

São Paulo, 04 de fevereiro de 2017.

Francesco Farruggia
Presidente Instituto Campus Party

 André Gomyde
Presidente Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas

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